Ana Carolina Fernandes (E04-T02)

Resenha

Transcrição

O Rio de Janeiro parece ainda mais lindo quando é visto pelos olhos de Ana Carolina Fernandes. Formada em Fotografia pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage aos 19 anos, Ana Carolina escreveu sua história com luz nos jornais O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Folha de S. Paulo, onde acumulou prêmios. Hoje, a fotógrafa desenvolve ensaios pessoais sobre a cultura das praias do Rio, é colaboradora de jornais e revistas e finalista de grandes premiações.

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E Meu pai tinha um jornal, Tribuna Da Imprensa que era um jornal importante na época da ditadura um jornal de muito combate ao regime militar e era outro lugar que eu estava sempre lá também e no laboratório fotográfico e linotipo né, falando assim parece que eu tenho 200 anos mas era incrível ver montar ali as letrinhas de chumbo e fazer uma página de jornal, então era incrível, eu adorava estar lá, adorava ir, gostava de ir no laboratório fotográfico aquela magia, “ah não pode entrar, ta com a luz vermelha, o que será que acontece lá dentro?”

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Aí eu consegui um estágio no jornal Globo, aí a minha vida profissional começou realmente como fotojornalista né, ali basicamente onde eu passei 25 anos da minha vida profissional dentro de um jornal assim aquela coisa clássica, ortodoxa, fotojornalista trabalhando numa redação de um jornal, o jornalismo ele é sangue, suor, as vezes lágrima, calor, vento, chuva horas e horas sem almoçar sabe? Sobe morro atrás de polícia, tiroteio, traficante e esse é o jornalismo ali do fotojornalismo do front assim, chamado hard News e né, aquela coisa quente, passei por todos os grandes jornais do Brasil,

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Globo depois Jornal Do Brasil que foi um lugar maravilhoso, todo mundo queria ir pra lá e era assim o grande jornal na época, eles tinham um editor que foi o Alberto Ferreira, que era um cara incrível,o jornal do Brasil era um jornal que valorizava muito a fotografia colocava a primeira pagina inteira com uma foto. O Alberto Ferreira era um cara que fazia muita diferença, ele valorizava muito os fotógrafos e a palavra dele tinha enorme importância e poder dentro do jornal como editor, uma coisa que trazendo pra hoje em dia, não, não, os jornais não acompanharam essa importância da fotografia.

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Eu cresci numa casa que meu pai era preso toda, seila, toda semana, todo mês, foi levado pra Fernando de Noronha, foi preso em vários quartéis militares e tal então assim, era uma coisa normal mas de um movimento que eu participasse de alguma maneira e que era assim, de arrepiar né, foram as Diretas já então quando começaram essas manifestações de rua, primeiro pelo aumento da passagem de ônibus, aquela história de “não é pelos 20 centavos” né e eu comecei a ir pra rua aí eu me remeti quase há 30 anos atrás né, incrível, 30 anos depois eu estava de novo assim, quer dizer, um paralelo né, totalmente diferente, momentos muito diferentes do país mas, eu já tinha a possibilidade de desenvolver esse trabalho assim , quer dizer, as portas abertas para o trabalho que eu queria fazer

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mas eu não me sentia assim capaz e nem de ter tempo e tudo enquanto eu estava dentro de um jornal e com aqueles horários malucos de sucursal, um dia um horário, outro dia 6 da manhã, outro dia 10 da manhã, outro dia meia noite, então eu realmente fui desenvolver esse trabalho quando eu saí do jornalismo diário, o mundo conspirando a favor e eu reencontrei a Luana que era minha amiga já, travesti e a gente foi tomar um café no centro do Rio e assim, eu não sabia como o trabalho iria se desenvolver e nem que cara ele teria, isso eu não sabia

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mas eu, com as travestis especificamente eu queria dar um corpo, eu queria dar um corpo por essa questão que me fascinava que era num mesmo corpo um corpo masculino e feminino ao mesmo tempo que caracteriza ali basicamente o ser né, a travesti né, uma mulher que nasceu homem e assim, tem uma alma feminina mas também com muitas características, não só físicas mas psicológicas e de um homem né, então essa ambiguidade então eu com as minhas fotos eu quis muito poder ajudar, se fosse um pouquinho para essa aceitação, para essa tolerância né. Outro trabalho que eu fiz, porque aí teve olimpíada né nesse meio tempo, copa do mundo, então eu fiz aí já contratada freelancer de fotojornalismo que aí eu fiz pro New York Times, para a Folha, sempre envolvendo muito a Baia de Guanabara. E acabou a foto saiu na primeira página do New York Times que é uma coisa muito legal né.

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Mas aí um dia eu estava olhando as minhas fotos, depois de todas as matérias publicadas e tudo e eu vi que eu tinha uma série documental assim abstrata do fundo da Baia de Guanabara que eram fotos bonitas mas assim, apocalípticas uma beleza quase extraterrestre assim, muitas vezes tem uma paisagem que parece seila Marte, outro planeta mas aquilo é poluição da Baia de Guanabara assim altamente assoreada e esgoto, mas de cima com a luz e do helicóptero né, um ângulo totalmente diferente ficou uma coisa bem legal, bem louca assim.

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