Antônio Guerreiro (E05-T02)

Resenha

Transcrição

Foi usando uma Rolleiflex que Antônio Guerreiro descobriu sua paixão: a fotografia e a incansável busca pelo belo, que ilustrou capas de discos e revistas pelas décadas seguintes. Com seus retratos, Guerreiro consagrou diversas musas do Brasil nos anos 70 e 80 e se tornou referência no mundo da fotografia sensual.

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Vamos lá, eu quando sai de Paris eu acabei montando um estúdio com o Eduardo no jardim botânico aqui do Rio que foi um estúdio badaladíssimo chamava-se Plug foi um estúdio badaladíssimo a gente era perto da TV Globo então a gente fotografava muitos artistas todos da TV Globo, aí eu comecei a entrar nessa coisa de artistas e não sei o que capa de disco, muita capa de disco eu fiz, Gal Índia que foi proibida pela censura, mas nessa época eu também comecei a fotografar Novos Baianos, os Novos Baianos juntos, Baby Consuelo sozinha, depois eu fiz todas as capas de Baby Consuelo também, fiz Pepeu também várias capas,

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Alcione eu fiz umas 15 capas da Alcione, Simone... Muitas. E quem era meu laboratorista era um cara chamado Cecílio que tinha um negócio em Ipanema e eu revelava meus lá filmes todos com ele né, eu não trabalhava em casa então eu revelava com ele e ele disse “Antonio, você se lembra do estúdio Jornal do Brasil?” eu disse “lembro, era no Catete ne?”ele disse “É”, por sinal é aqui pertinho de onde a gente ta, o que aconteceu, ele disse “tá vago, estão alugando o antigo estúdio Jornal do Brasil” aí cara eu disse “vamos lá ver” vimos, maravilha, já tinha dois estúdios montados, salas, laboratórios, tinha tudo...

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Aí a gente alugou esse lugar e eu fiquei, aí que começou oo grandes (mundos?) da minha vida, foi de 1975 há 1990 esse estúdio foi 15 anos aí eu fiz de tudo. Eu trabalhava sem parar o dia inteiro, de manhã à noite, eu tinha 3 laborataristas lá dentro, tinha cozinheira que fazia almoço para todo mundo sempre tinha almoço pra uma mesa de 10 pessoas, eu tinha carpinteiro para fazer meus cenários, quer dizer se tivesse photoshop naquela época não precisava né, mas naquela época eu fazia cenários a gente recortava, fazia cenários aí eu comecei a trabalhar, eu trabalhava para todas as revistas de São Paulo

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trabalhava muito para a Interview muito, e aí fui pro mundo do nu, para a Playboy, fui chamado para a abertura da Playboy, a Playboy quando abriu no Brasil chamava-se Revista Homem, não era Playboy, ficou assim durante algum tempo de experiência e depois virou Playboy e daí eu fiquei 10 anos na Playboy fotografei esse mulherio esse nu todo né, todo mundo que você puder imaginar eu fiz. . A minha fotografia sempre foi a fotografia planejada, se você me perguntar, eu tenho 90% de trabalhos em estúdio, e 10% externos, mas mesmo os externos, eram planejados.

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Eu nunca saio numa rua na minha vida com uma maquina pendurada aqui e fiz uma foto, nunca, e continuo não fazendo, eu não saio com maquina, não uso maquina na rua de jeito nenhum, não levo maquina pro lugares, eu me sinto na obrigação de fotografar eu não, então todo meu trabalho sem foi em estúdio, quer dizer se eu tinha uma trabalho no dia seguinte a fazer, por exemplo, com Sonia Braga, eu borrava no dia anterior a foto, como é que iria ser a foto? qual era o fundo? qual era luz? qual era o cenário ? qual era o não nem o que e “papa” ..

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.. Quando eu chegava no dia seguinte no estúdio eu já chegava com a cabeça feita, não ficava procurando o que fazer, quando você já sabe o que você quer fazer é mais fácil. Todo meu material pessoal que gostava era feito em preto e branco só fazia cor quando era obrigado a fazer ou porque era publicidade né, que a gente tinha que fazer publicidade se não ninguém sobrevivia né, porque o que pagavam as contas do estúdio era publicidade né, era foto técnica maquinas grandes, até a máquina de fole, eu também fotografava com máquina de fole pra fazer a, eu tinha que fazer publicidade pra garantir o editorial porque o editorial não pagava nada né.

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Eu to há 50 anos na fotografia eu vivi fotografia a minha vida inteira eu não fiz nada na minha vida que não fosse fotografia, eu não tive tempo pra nada, eu, eu respirei e vivi fotografia sem parar desde meus 17 anos, quer dizer, eu comecei realmente na verdade com 20, to fazendo 70 anos vou fazer 50 anos de fotografia. Foi tudo uma época muito romântica da fotografia né, quer dizer, quando a gente ficava muito preocupado com os resultados a gente tinha que ter um profundo conhecimento técnico pra fotografar, quer dizer, não era qualquer um que pegava uma máquina e saia fotografando, tinha que ter um profundo conhecimento técnico de estúdios, de flashes, por exemplo, eu me lembro

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da foto da Sonia Braga foi pra Vogue, eu cismei que eu queria uma claquete na foto dela né, ai eu disse, e era nua né, eu disse “não claquete vai tampar o coisa, não sei o que “ ai eu fiz uma claquete enorme eu fiz uma claquete do tamanha desse quarto aqui. A melhor coisa que a gente tinha na vida era o back polaroid, o back polaroid foi a melhor invenção pelo menos pra mim em vez de eu bater 50 filmes e os 50 estarem errados, ta entendendo? Porque acontecia isso né, as vezes você errava o diafragma ou uma coisa assim cara e saia tudo errado e não tinha como concertar não era cromo né, quer dizer, que você usava né, então o back polaroid quando você usava maquina grande , eu tinha uma mia 6x7 que era desse tamanho assim

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e antes de fotografar antes de bater 20, 30 filmes você tirava o back da mamia botava um back com filme polaroid quer dizer, você fazia o polaroid através da maquina que você ia fotografar e ai você fazia o polaroid e via o polaroid ai vce corrigia luz, é, maquiagem, cabelo, você fazia as correções todas necessárias fundos não o que e papa ai você fazia as correções e fazia um outro back, pra ver se tava bom até ficar tudo certo ai sim você botava o filme e batia os 20,30 rolos. Então o que eu to dizendo é o seguinte, não era permitido um erro porque as vezes você, você quando trabalho num estúdio, quando era publicidade por exemplo que era uma coisa que não dava o menor tesão de fazer porque você sabia que tava fazendo aquilo pra ganhar dinheiro,

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porque você na verdade tava copiando um layout né eles te davam um layout e mandavam você fazer exatamente aquilo né, e você tinha que fazer aquilo né e na hora de fotografar tinha o diretor de arte, tinha a amiga do diretor de arte, a amante do diretor de arte, o dono da agencia, quer dizer isso tudo dentro do estúdio então você não podia errar aquilo de jeito nenhum principalmente porque você tava sendo muito bem pago pra fazer aquilo né,

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você tem que conseguir a foto certa é fundamental você conseguir a foto certa, você ta lá pra conseguir a foto certa. Então a foto de nu é pior ainda, porque as mulheres que eu fotografei a Playboy não eram as modelos de 18 anos, 19, 17, 20 anos, eram sempre atrizes só fotografei praticamente atrizes consagradas mulheres já nos seu 30, 30 e poucos. Maria Zilda, Betty Faria, todas eu fotografei e ai você tinha que ir através de maquiagem,

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através de iluminação, iluminação e maquiagem basicamente, cabelos essas coisas a preparação da mulher, e maquiagem que eu to falando por causa, muitas delas tinha estrias né, ta entendendo ? então você não podia deixar isso no cromo porque o cromo que to fazendo ali é o cromo que vai sair na revista, ele não vai pro computador, pro photoshop pra limpar aquilo, é o que ia pra revista direto cara, você não podia errar na hora de fotografar,

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porque hoje em dia você fala “não fotografa e depois corrige tudo “ não é isso, hein ? naquela época não existia nada disso tinha que corrigir antes de fotografar, porque tem uma regra na fotografia que é o seguinte; você parte pra iluminar uma pessoa, se fosse não conseguir resolver o problema dela em uma luz não adianta acrescentar mais luzes que você não resolve você só vai fazer uma salada de iluminação e vai ficar totalmente fora do contexto, quer dizer que a fotografia é você não pode pensar no depois você tem que pensar no antes que você ta fazendo e saber o que você quer.

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