Bruno Veiga (E09-T02)

Resenha

Transcrição

Foi no Rio de Janeiro onde Bruno Veiga nasceu, cresceu e reconheceu a fotografia como sua melhor forma de expressão há mais de 30 anos. Durante esse tempo, trabalhou em jornais como O Globo e Jornal do Brasil, agência Tyba e Strana Agência Fotográfica, fundada por Veiga em 1995. Desde 2005 é associado ao Estúdio da Gávea. Em todos os anos de carreira, são 9 livros publicados, um prêmio Brasil Fotografia Ensaios e inúmeros trabalhos expostos no Brasil, França, Japão, Argentina e Singapura.

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Olá, a fotografia está presente na minha vida, bom, na de todo mundo né, há muitos anos. Na minha talvez de uma forma particular porque os meus pais por causa da ditadura eles saíram do brasil meu pai quando eu tinha 1 mês minha mãe quando eu tinha 1 ano e pouco, e eles só voltaram muitos anos depois. E eu acho que eu fiquei durante esses anos, muitos anos, me comunicando com eles através de fotografias, cartões postais então cada um eu acho que vai ter a sua história com a fotografia né. A fotografia se aprende fazendo né e se aprende conversando com quem faz né, que dizer hoje já devem ter cursos de graduação e tudo mais bons cursos que na minha época quando eu comecei em 1984 a fotografar profissionalmente não existia, era muito pouco.

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Hoje não, você já tem uma gama de cursos enormes você pode ficar fazendo ou os cursos de extensão ne ou mesmo a graduação no meu caso não foi, então, foi como tinha que ser que na minha geração era ou estúdio em jornal, ai eu comecei fui eu sozinho lá pra fotografia do O Globo ai foi pauleira, trabalhos uma porção de coisas né um pouco de sorte também né em situações de fotos importantes por exemplo a foto que teve do plano cruzado né uma foto importantíssima pra mim no jornal eu tinha 2 anos ali. Então foram algumas coisas que foram acontecendo e sempre um pouco carregado por isso né por de ter a sorte de estar lá no momento certo, filô nessa época que era o editor do O Globo novo me colocou pra frente está entendendo? Outros momentos mais a frente quando eu sai do globo eu fui pro JB isso em 88, O Orlando Brito fotografo de Brasília não só de Brasília mas um cara que construiu uma iconografia sobre o Brasil muito poderosa né, o brito estava assumindo a editora de fotografia do jb, me chamou ai eu fui pro jb comecei fazer revista um negócio que eu nunca tinha feito e o brito maior capista talvez da história da veja né e de outras revistas. O Brito também me deu o caminho das pedras, comecei a fazer revista entender como funciona capa, abertura, índice todas esses coisas né.

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Ai segui em frente sai do JB e fui trabalhar na Tiba com Rogério Reis né e ai deu uma outra virada na vida também né abriu outros caminhos e principalmente a perturbação do Rogério reis que ficava com um mantra falando “ Bruno tem que fazer um trabalho pessoal, Bruno tem que fazer um trabalho autoral ..” naquela época isso não tinha muito sentido, não tinha um mercado pra fotografia autoral nem de livros nem de arte de nada disso. Há uma transformação infinita porque a fotografia ta no olho do furacão digital está entendendo, o mundo digital é o mundo que ta em permanente mudança, a gente está falando e já está mudando e mudando e mudando e a gente está no centro disso. A imagem hoje basta ver as redes sociais estão ancoradas nas imagens, não necessariamente fotografias mas fotografias também. . Ouve uma mudança também na intenção da fotografia, hoje mudou, está todo mundo querendo ser artista visual né existe realmente um mercado que não existia na década de 90 tinham 2 fotógrafos que vendiam trabalho no Brasil , assim a grosso modo, hoje você deve ter 40, 50 né você tem uma feira só vendendo trabalhos que usam a fotografia como suporte em São Paulo que é o SP foto então você vai na feiras de galeria aqui no Rio isso eu to falando das feiras de galeria que é mais fácil da gente perceber. A fotografia tinha um caminho paralelo com o resto das artes visuais a gente tinha galerias próprias, revistas próprias ou seja editoras de livros próprios de fotografia, quando estourou ali em 2.000, 2.000 e pouco, começou a estourar um pouco antes né mas chegou aqui ali em 2.000 e pouco misturou.

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Eu acho que essa influência recente da inserção da fotografia nas artes visuais impactou muito a produção, a forma como se fotografa, então eu acho que hoje essa é a você perguntou né das transformações que a gente está vivendo, essa talvez pra pra mim a mais forte hoje você percebe inclusive a fotografia documental ela já feita com olhar autoral, logico que isso também impacta o que você produz né. Não é que você não possa ser absorvido pelo mercado mas é quanto tempo você vai ficar no mercado fazendo o que? Acho que é importante hoje você ter a fotografia, sentiu? Você gosta de fotografia? Realmente você gosta de se expressar atrás da imagem? Gosta de pensar o mundo através da imagem? Colocar seu ponto de vista pros outros através da imagem? Pô eu acho genial acho maravilhoso tem que seguir, mas é legal pensar como você vai construir esse caminho. Eu to dizendo o seguinte, está mais fácil pra produzir autoral? Ta! Tem espaço pra prêmios, festivais, quantos a gente tem no Brasil né?

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Leituras de portfólio pra você se conectar diretamente com instituições com curadores com editoras com galerias. Existe todo uma nova oportunidade existem novas oportunidades mas existe muita gente produzindo, essa enxurrada. Você tem que saber que você vai, pra você conseguir com o tempo, ter suas chances de reconhecimento, chances de publicar, chances de expor...enfim isso vai demandar um tempo não é um processo curto. Na verdade o primeiro trabalho autoral que eu fiz quando o Rogério me buzinava o ouvido “faz autoral, faz o pessoal “ O primeiro foi os bastidores do teatro municipal aqui do Rio de Janeiro que é onde tem corpo de balett, orquestras, o coro eu trabalhei lá 5,6 anos e fiz um trabalho sobre o processo de produção artística ali dentro né. Eu fiquei ali meio que como o fantasma da ópera né eu ficava rodando os bastidores acompanhando as produções e fotografando pra eles também e na mesma época também fui convidado por uma arquiteta chamada Yolanda e ai essa arquiteta me convidou pra fazer um livro e aquilo foi “tuff” mudou a minha vida também ali. Esses dois trabalhos logo quando aconteceu essa entrada dos fotógrafos no mercado de arte foram trabalhos que começaram a circular e tudo mais começaram a se ... De tudo isso eu não sei eu acho que é uma profissão, que no meu caso são agora 22 anos vai fazer 23 trinta.. AH 22? 32 anos indo pra 33 né em outubro agora vai fazer 33 anos que eu fotografo profissionalmente.

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É eu não sei, pra mim foi central me estabilizou como ser humano e me permitiu e importante eu não sei eu tenho um...eu penso muito o mundo politicamente né meus pontos de vista, minhas histórias minha historias familiares e também conseguir aquilo que a gente falou lá no início eu acho que colocar meu ponto de vista sobre o mundo através das imagens né, quer dizer pra isso eu tive que aprender a fotografar né.

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