"A camera é um instrumento que ensina as pessoas a ver sem camera."

Dorothea Lange


Movimento Pictorialista

Se a fotografia hoje é considerada como uma das Artes Visuais, certamente há uma dívida de todo fotógrafo-artista com o Pictorialismo, movimento que enfatiza a beleza do tema da foto, suas tonalidades e a composição da imagem acima do registro da realidade. Um dos primeiros grandes movimentos da fotografia, seu nome deriva do título do livro Pictorial Effect in Photography: Being Hints On Composition And Chiaroscuro For Photographers (em tradução livre: "Efeito pictórico na fotografia: sendo dicas em composição e chiaroscuro para fotógrafos"), publicado em 1869 por Henry Peach Robinson.

Robinson defendia a utilização da impressão combinada - técnica que utiliza mais de um negativo na produção de uma única cópia - como recurso artístico da fotografia, já que apenas pela intervenção do fotógrafo/impressor seria possível "fugir" do registro do real que se atribuía até então à imagem fotográfica.

O mesmo Robinson defendeu em um artigo de 1886 que o fotógrafo com intenção artística deveria aderir à estética da pintura de sua época, o que levou muitos fotógrafos a simular, em suas imagens, resultados normalmente obtidos com pincel e tinta. É por isso que até hoje se diz que, para os pictorialistas, a câmera do fotógrafo nada mais é do que uma ferramenta da expressão, como o pincel do pintor ou o cinzel do escultor.

A intervenção do fotógrafo no resultado final - seja pela impressão combinada ou pela utilização de processos "enobrecedores" como o cianótipo, o bicromato, ou o brometo - oferecia uma tonalidade diferente à imagem, que se tornava única e particular. Sobre essa tonalidade, Alfred Stieglitz - um dos grandes pictorialistas estadunidenses - afirmou, em 1892, que "Atmosfera é o meio pelo qual vemos todas as coisas. Para, então, vê-las em seu valor real em uma fotografia, como fazemos na Natureza, deve existir atmosfera. Atmosfera suaviza todas as linhas, gradua a transição de luzes e sombras, é essencial para a reprodução da percepção de distância. Esta difusão de contorno que é característica de objetos distantes é devida à atmosfera. Agora, o que a atmosfera é para a Natureza, o Tom é para a fotografia".

Além das tonalidades propriamente ditas - obtidas nos processos químicos - os pictorialistas também buscavam outros ideais estéticos, como o chiaroscuro, graças à inspiração na pintura da época e às referências de grandes mestres da pintura, como Rembrandt.

O pictorialismo não respeitou fronteiras, tendo grandes nomes associados ao movimento. Ainda assim, a poética de suas imagens nem sempre foi considerada válida, e muitos fotógrafos, Ansel Adams entre eles, que em um primeiro momento de sua carreira subscrevia às ideias pictorialistas acabam por se afastar do movimento. Adams chega mesmo a defender o extremo oposto do ideal pictorialista após se associar ao grupo f/64.

 

 



 

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