"Você não tira uma foto, você cria uma foto."

Ansel Adams


O Sistema De Zonas

Fruto do apuro técnico do mestre Ansel Adams em colaboração com o fotógrafo de Hollywood Fred Archer, e explicado em detalhes no livro O Negativo, o sistema de zonas é uma forma de obter na captura da imagem a melhor escala de tons possíveis na imagem final sem depender do processamento no laboratório. Para o ambiente da fotografia digital o Sistema de Zonas ainda se aplica, pois uma captura cuidadosa livra o fotógrafo de passar muito tempo na pós-produção.

O sistema de zonas é um processo bastante complexo, e além da abordagem inicial de Adams em seu livro, muitos fotógrafos já escreveram tutoriais e explicações mais acessíveis sobre o tema. Aqui vamos tentar o "meio-termo", abordando boa parte da complexidade da técnica e tentando, ao mesmo tempo, deixá-la clara o suficiente para quem ainda não está completamente familiarizado com a fotografia. A tarefa é árdua, mas vale a pena, e esperamos que vocês concordem conosco.

Fotometria

A intenção por trás do uso do sistema de zonas é, acreditem, facilitar a vida do fotógrafo na hora de calcular a exposição necessária para uma foto. Ainda que o fotômetros  atuais – manuais ou integrados às câmeras disponham de vários modos de medição, todos aqueles que calculam algum tipo de média podem ter seus resultados "falseados". Contraluzes ou cenas com tonalidades muito próximas como neve, paisagens noturnas, etc...  tendem a enganar os fotômetros, o que  na imagem final  vai gerar contrastes menos atraentes ou distorções significativas de tons.

Porém, caso você regule o seu fotômetro para opera na medição pontual (spot metering), você já está, de certa forma, utilizando o sistema de zonas. Ao utilizar a medição pontual, você está dizendo para sua câmera (ou fotômetro manual): "mostre-me apenas a medida para este ponto exato, e não a média de uma área". Com isso, no lugar do cinza médio que abordaremos a seguir, você recebe do equipamento uma leitura sobre a real característica de cinza daquele ponto em relação a uma referência pré-programada na câmera.

O cinza médio

As escalas de cinzas do negativo e do papel fotográfico são essenciais para a compreensão do sistema de zonas, pois é a partir das diferentes gradações de cinza que a medição precisa de tonalidades pode ser obtida. Adams recomenda a produção de uma grande quantidade de negativos e cópias para determinadas superfícies para a obtenção do cinza médio, mas em tempos de fotografia digital e de mercado especializado é perfeitamente possível se explorar o sistema de zonas a partir do fotômetro em medição pontual, como dito acima, ou a partir de um cartão cinza médio, disponível em quase todas as principais lojas de equipamento profissional de fotografia.

 

No caso do fotógrafo usando dSLR, a referência pré-programada do fotômetro também serve de base para a utilização do sistema de zonas sem grandes problemas (algumas situações extremas, entretanto, podem confundir o fotômetro da câmera mesmo em medição pontual, causando exposições levemente fora do esperado).

Mas que referência é essa, afinal? De acordo com Adams, o ponto de referência  por ele chamado de zona V  equivale à exposição correta para a obtenção de uma tonalidade compatível com a refletância da superfície fotografada. Refletância, no caso, é a medida da capacidade da superfície em refletir luz, ou seja, a proporção entre a quantidade de luz que incide sobre a superfície e a quantidade de luz refletida por ela. O cartão cinza-médio, por exemplo, tem 18% de refletância, e está aproximadamente na metade do caminho entre a reflexão total (branco) e a absorção total (preto) da luz incidente. No fotômetro das dSLR, a zona V de Adams equivale à posição 0 da escala de exposição. Cada divisão da escala acima equivale a um ponto de exposição (seja em abertura ou em velocidade) para mais ou para menos. Assim, o +1 da régua de exposição de uma dSLR está na zona VI, enquanto o -2 estaria na zona III.

E em cores?

Quando se trabalha com cor, a zona V normalmente equivale ao tom de pele moreno, ao azul do céu em um dia limpo ou madeiras claras. Essas guias para cor nem sempre são precisas, mas servem como um bom ponto inicial para se perceber a zona V que baseia todo o resto do sistema. O site TutsPlus organizou uma tabela com as cores para as diferentes zonas:

Detalhe: você percebeu que a escala deles conta com apenas 7 zonas? Dependendo de quem prepara o material, diferentes amplitudes de zona são utilizadas ou, como acontece neste caso, as divisões mais extremas são eliminadas já que podem as zonas 0 e X podem ser consideradas "estouradas", sem informação além da cor em si, e as zonas I e XI são o máximo que ainda mantém alguma informação além de branco ou preto. Falaremos mais dessas duas zonas quando abordarmos o high key  e o low key .

Como usar o sistema de zonas?

Os fotômetros seja o embutido na câmera ou o manual  sempre buscam a zona V, e retornam a informação de exposição ao fotógrafo para que o ponto medido esteja no "0" da régua de exposição. O sistema de zonas permite que, ao realizar a medida de qualquer ponto da cena que se quer fotografar, a exposição seja baseada na condição real de iluminação, e não na manipulação das quantidades de luz para se atingir o cinza médio. Assim, imagens que poderia estar super expostas (ponto de medição em uma área mais escura) ou subexpostas (medição em uma área muito clara) estarão corretamente expostas depois da aplicação do sistema.

Para se aplicar o sistema de zonas, entretanto, é necessário muita prática. Assim como praticamente tudo em fotografia, treinar, repetir e daí fazer tudo de novo é essencial também na utilização dessa técnica.

O exemplo prático abaixo foi extraído do livro O Negativo, de Adams, e é o mesmo exemplo que o autor utiliza para explicar como se usa o sistema de zonas. Uma parede de madeira pintada em cinza bastante claro, com a tinta descascando, foi fotografada usando a exposição sugerida pelo fotômetro, gerando uma imagem levemente subexposta. Ao comparar a tonalidade da tinta com a escala de zonas, Adams aumentou em dois pontos a exposição, obtendo assim a tonalidade mais próxima possível do tom real da tinta.

Ou seja, a aplicação do sistema de zonas é, na verdade, um exercício comparativo entre a cena que se apresenta ao fotógrafo e a sua percepção da exposição necessária no lugar em que o fotômetro é apontado. Para treinar, meça a exposição em diferentes pontos e tente adivinhar em que zona aquele ponto estaria na escala de Adams. Lembrando que o fotômetro tende a indicar qualquer medição como sendo a zona V, conte quantas casas da escala precisam ser "puladas" até que a zona correspondente seja aplicada ao objeto em questão e aumente ou diminua a exposição para obter a imagem corretamente iluminada.

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