Kazuo Okubo (E07-T02)

Resenha

Transcrição

Kazuo Okubo mostra talento em todas as vertentes da fotografia. Tudo começou com os brinquedos feitos de rolo 120mm quando era só uma criança. Depois, virou assistente do pai em uma loja de fotos. Mais tarde, fotografou casamentos até fazer carreira nas produções de propaganda e nos projetos pessoais que foram exibidos em diversas mostras internacionais. Hoje, é fundador da Casa da Luz Vermelha, a primeira galeria do Centro Oeste especializada em fotografia.

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Várias pessoas já falaram pra mim assim que fotografia é o maior boom de todos os tempos, de todas as artes. Nunca uma arte foi tão executada por tantas pessoas né, e assim, com as novas tecnologias, com celular, então eu acho assim, a fotografia ficou muito mais próxima das pessoas do que a gente imagina né, então eu sei que eu vejo fotografia como linguagem como um jeito de você contar suas histórias fictícias, verdadeiras né, e assim, muita gente que passou a fotografar em função dessa democratização, da facilidade da ferramenta ta percebendo que fotografar não é tão simples, não basta só apertar um botão, a competição cresce, mais gente entra no mercado, eu acho assim que com esse boom da fotografia a produção aumentou consideravelmente,

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muita gente produzindo muita coisa, mas assim eu acho que pra você aparecer é um conjunto de fatores além, de você ter um trabalho bacana, consistente você precisa saber vender o teu trabalho, você precisa conseguir se posicionar no mercado em relação aos seus companheiros de profissão com histórias interessantes, eu acho que o que vale hoje são histórias interessantes. Eu descobri que fotografia é a minha vida, é um amor tão grande que assim, eu não me vejo fazendo outra coisa, então todas as minhas ações atualmente que envolvem a busca de uma remuneração financeira ta em torno da fotografia,então eu tenho estúdio de fotografia de publicidade, eu tenho uma galeria de arte exclusiva dedicada exclusivamente a fotografia, eu tenho um birô de impressão de fotografia e eu tenho uma fabricazinha de projetos pra gente participar de editais voltados pra fotografia. Meu pai ficou desempregado, com mulher gravida lá no meio do centro oeste pegou e arrumou emprego de balconista numa empresa de cinefoto e eu cresci no meio de carretel, filme, foto 3x4, foto de aniversário, reportagem, então assim os meus brinquedos era espada feita com papel de filme 120, carrinho feito com carretel de 120 né, então assim é, eu cresci nesse meio e filho de japonês trabalha desde pequeno, então assim, 10 anos de idade ta ajudando a lavar chão de loja,

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ta ajudando a cortar 3x4, tá secando foto, tá atendendo cliente no balcão, então assim, é muito intensa a exploração infantil de trabalho de filho de japonês entendeu? Os pais da gente botam a gente pra trabalhar pra caramba, mas isso aí foi uma forma também de assimilar fotografia, de perceber a fotografia e assim, dessa maneira a fotografia entrou na minha vida, através do meu pai né, então eu comecei a fotografar casamentos, fotografei casamento durante uns 27 anos aí eu cansei, migrei para fotografia de publicidade, encontrei muita resistência pra entrar no mercado de publicidade, porque assim, um cara que faz foto de casamento vai entrar pra fotografar publicidade, os publicitários ficavam assim, meio temerosos né? ? Da qualidade e tal, então foi uma conquista demorada, foi devagarinho pra poder conquistar o mercado de publicidade, hoje Graças a Deus assim, a gente ta bem posicionado no mercado de publicidade de Brasília e a gente vive as nuanças da economia como qualquer um né, então assim, os últimos anos não tem sido fácil mas estamos vivendo 100% de fotografia. Todo fotografo é um voyeur né, o que não é, o que diz que não é, é mentiroso né, então assim, nós somos visuais, nós gostamos de admirar o belo e eu acho que essa história minha com o nu vem desde a infância, de olhar os buracos de fechadura, subir no telhado pra ver alguma situação entendeu?

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Então assim, é eu acho que esse lado meu voyeur vem desde a infância e eu acho que isso eu carreguei pra dentro do meu trabalho, só que com profissionalismo, então eu acho assim, você trabalhar com nu é uma coisa muito delicada, você pode ser mal interpretado a pessoa pode estar achando que você ta assediando ela né, então assim, ao longo dos anos eu percebi que o toque físico na pessoa é extremamente desconfortável quando ela está posando pelada, então assim, quando eu vou fotografar uma pessoa eu evito o toque eu evito fixar o olhar por mais de 3 segundos em uma determinada parte do corpo porque se você, a pessoa me flagra olhando o mamilo dela por 3 segundos, ou a genitália dela por 3 segundos, isso vai causar uma situação de constrangimento muito grande tanto pra mim quanto pra pessoa que vai se sentir totalmente assim, invadida né, a fotografia já é invasora né, você quando aponta uma câmera pra uma pessoa a pessoa fica desconsertada porque se sente invadida.

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Como fotografo mais impresso do mundo. Eu vejo muito o trabalho de outros fotógrafos, tem vários fotógrafos que eu admiro muito o trabalho né, tem um japonês que eu acho muito louco Nobuyoshi Araki ele tem umas fotos muito muito loucas Rerry Richardson também que tem um trabalho muito louco então assim, eu gosto desses loucos, eu me inspiro nesses loucos né, e o meu processo criativo assim, eu tento não, assim, o difícil é não copiar ás vezes você desenvolve um trabalho sem ter visto o de um outro fotografo e quando alguém fala pra você “olha, eu já vi alguém fazer alguma coisa parecida com esse trabalho que você ta desenvolvendo” então assim, a maior frustração minha é não fazer o repetido né, então quando eu faço uma foto parecida com a de alguém isso me causa um desconforto, eu gosto de tentar ser original. O meu processo criativo é sofrido, doloroso é eu não durmo, durmo mal, como mal, até realizar o trabalho, mas muitas vezes assim, eu pré visualizo consigo mentalizar mais ou menos como vai ser uma cena de uma foto, como também as vezes eu vou num lugar e eu vou premeditado pra fazer dum jeito só que o lugar me oferece outra situação, outra condição e as vezes sai muito melhor do que aquilo que eu tinha planejado antes né.

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Eu sou apreensivo com a fotografia né porque eu, ela me abastece, me deixa muito feliz, mas assim, eu não vivo de brisa e viver hoje de fotografia, não sei se só no Brasil ou se em ouros países do planeta é um pouco difícil, é um pouco difícil hoje você viver 100% de fotografia, manter uma estrutura sozinho de um estúdio, é muito difícil, tanto é que uma tendência que eu percebo no mercado é coletivos, aluga-se um espaço 4, 5 fotógrafos utilizam o espaço e dividem as contas né, pra poder viabilizar o negócio de cada um, porque assim, sozinho um estúdio, ta difícil.

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